Ainda se crê que o problema do mensalão foi desvio de dinheiro público. Se as compras de voto fossem 100% com dinheiro privado, o problema persistiria: o mensalão foi um golpe ditatorial e totalitário.

Os mensaleiros tiveram suas prisões
decretadas. De toda a quadrilha, apenas três petistas foram presos –
José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares – e um quarto aparentemente
fugiu para a Itália, Henrique Pizzolato, ainda mantendo um tom de
pizzaiolo no imbróglio.
No presídio da Papuda, para onde Genoino
e Dirceu foram enviados, uma trupe de petistas faz barraco noite e dia
(não trabalham? como pagam as contas?) com brados como “Dirceu, herói do
país!”.
Todos no país parecem dizer que querem acabar com a corrupção – sobretudo a corrupção dos outros.
Foi criando CPIs intermináveis sobre corrupção (a maior parte delas não
dando em nada) que Dirceu subiu na carreira de deputado (foi levantando
um morto numa manifestação nos anos 60 que subiu na carreira de líder
de turbas enfurecidas).
Henrique Pizzolato, por sinal, teve um
discurso que parece 100% o discurso da “oposição” atual quando tentou
ser governador do Paraná em 1990.
Contudo, mesmo que o foco seja a
corrupção apenas dos rivais, há algo de novo no mensalão. Os petistas
tentam agora chamar um caso de corrupção que nada tem a ver com a
concentração de poder do mensalão petista de “mensalão tucano”, e
tentarão eternamente doravante chamar qualquer caso de corrupção que não
envolva compra de deputados nem centralismo burocrático de “mensalão”.
Há alguns anos (em contagem histórica,
poucos anos) havia a figura em São Paulo do “malufista”. Aproveitando-se
do mote que os apoiadores de Ademar de Barros (uma espécie de Maluf avant-les-temps) lhe atribuíam, “rouba mas faz”, os malufistas defendiam um político mesmo debaixo de uma lamaçal de corrupção.
Maluf é figura esquecida da política. O
que é chamado em ideologia política como “direita” sempre o detestou,
por saber que de direitista (liberal ou conservador) Maluf tem muito
pouco – tanto é que debandou para o lado petista, o daqueles que só
querem o poder, não importa quanto tenham de inverter o discurso para
tal.

Mas depois que as denúncias de corrupção
começaram a se comprovar (Maluf já foi preso com seu filho, ao menos
por alguns dias), Maluf não teve mais votos suficientes nem para ser um
deputado de destaque – que dirá realizar seu antigo projeto de poder de
ser presidente.
Quando Paulo Maluf foi preso, não
houve UM ÚNICO malufista na frente do presídio o considerando um herói
ou clamando por sua inocência.
Por que a coisa mudou tanto com o PT? A
verdade é simples: a mentalidade política que torna alguém petista (ou
de esquerda, ou progressista) é crente na eficiência do Estado, só
faltando um pouco de bom mocismo nos seus dirigentes. O Estado só age por um meio: coação, obrigando as pessoas a algo pelo monopólio força.

Para isso, é preciso que o Estado tenha
poder sobre as pessoas, e é preciso ter um Estado cada vez maior
controlando uma população que se torna cada vez mais obediente e igual. O
destino final é retratado em livros como 1984 ou A Revolução dos Bichos, de George Orwell, A Revolta de Atlas de Ayn Rand, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, O Processo de Kafka ou O Zero e o Infinito de Arthur Koestler. O totalitarismo gerando um novo mundo de “igualdade” e anulação da individualidade e da história.
O mensalão serviu exatamente para
atravessar um empecilho óbvio: numa democracia moderna, não se governa
sozinho, como no totalitarismo cubano admirado por 11 em cada 10
petistas, e sim com oposição.
O plano de poder do PT é o totalitarismo da igualdade (basta ver como a palavra “desigualdade” é repetida ad nauseam em todo discurso petista).

Tão logo o poder é tomado, qualquer
opinião diversa entra na fila do abate. O mensalão era a mesada que se
pagava a deputados da base aliada (e, portanto, não a petistas, que não enriqueciam
no processo) para que eles votassem sempre a favor do Executivo central
– ou seja, para que Lula governasse sozinho, sem precisar do Congresso,
por decreto direto, como fazem seus amigos ditadores Fidel Castro, Evo
Moralez, Rafael Correa, Hugo Chávez, Nicolas Maduro
(que, num estágio mais avançado deste processo, já revogou os poderes
da oposição venezuelana e já governa por decreto, misturando Executivo e
Legislativo apenas em sua pessoa).
Portanto, é inútil a logorréia petista, de que “Genoino não enriqueceu e continua vivendo na mesma casa”.
O mensalão não foi feito para enriquecer o PT, e sim para aumentar o
seu poder de legislar por decreto, como mais poder do que uma ditadura.
Curiosamente, não dizem que “José Dirceu continua pobre”, sem perceber nenhuma contradição.


Ou seja, o mensalão não é apenas um caso de corrupção,
como era o malufismo: é uma mentalidade para tomar o poder e
reconstruir a sociedade inteira através da concentração de poder em um
único Executivo central. Na verdade, se o mensalão não tivesse dinheiro público (ou seja, não fosse corrupção), 99% do problema continuaria existindo. Poucos já entenderam o que foi o mensalão.
Não é à toa que um famoso petista, quando da visita de Yoani Sánchez ao Brasil, tentando bancar o engraçadinho, deu com a língua nos dentes: gritou “eu sou mensaleiro”, e disse que iria tomar o poder para governar por 50 anos sem parar. Mesmo assim, seus opositores ainda não entenderam a que vieram os mensaleiros (para eleger um ditador e governar por decreto, ignorando a separação de poderes).

É isso que é o projeto do PT (enquanto a oposição precisa se reinventar a cada eleição).
O que atrapalhou o plano foi que o
Judiciário ficou de fora, e acreditou-se ser possível cooptá-lo tão
facilmente quanto se faz com deputados (em geral menos técnicos e mais
interessados apenas em roer o osso do poder).
Mesmo com um STF composto já quase em sua totalidade por indicações do PT
(apenas 2 ministros não foram parar lá por causa do PT), juízes, que
analisam dados e julgam processos de mil páginas (o que deputados
praticamente nunca fazem) não tiveram como não rifar a cabeça dos
mensaleiros – a não ser os dois de sempre e, claro, por “mera
coincidência”, os últimos que apareceram logo que conseguiram enrolar o
processo até a saída de Ayres Britto e Cezar Peluso, e que quis o
Destino que votassem a favor dos mensaleiros.
Quando os petistas acusam Joaquim
Barbosa de “traidor” e “capitão do mato”, apenas revelam a que vieram: o
PT, ao contrário de qualquer outro partido no poder, não indicou juízes
para o STF por competências técnicas para julgar casos, e sim para votar a favor do PT e favorecer sua concentração de poder. Um juiz que julgue, ao invés de dar a patinha (como fazem certos outros), é um juiz que atrapalha a aplicação do totalitarismo.
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